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I Encontro de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais Hospitalares reúniu 62 profissionais da saúde no INC

11/08/2014 11:04:31

Com palestras que abordaram os diversos temas que podem interferir na saúde ocupacional daqueles que trabalham em instituições hospitalares, o I Encontro de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais Hospitalares, realizado na manhã do dia 9 de agosto, no auditório do Instituto de Neurologia de Curitiba, reuniu mais de 60 profissionais entre médicos, enfermeiros e técnicos em segurança do trabalho.

O gerenciamento dos riscos biológicos e os aspectos ergonômicos quanto a movimentação de pacientes foram os temas que abriram o encontro, apresentados pelos médicos do trabalho, Dr. Noeli Martins e Dr. Ruddy Facci, respectivamente.

Para responder à pergunta: “por que pedir determinados exames?”, o neurocirurgião Dr. André Giacomelli Leal falou sobre a validade dos exames complementares ocupacionais. Inicialmente, destacou a importância de a empresa detectar quais os reais riscos para os funcionários e então determinar os exames complementares que podem ser utilizados como forma de garantir a saúde ocupacional.

“Os exames medicos ocupacionais visam garantir a saúde e o diagnóstico precoce de doenças relacionadas ao trabalho e podem reduzir drasticamente o absenteísmo e acidentes, além de garantir a manutenção das condições de trabalho.” Para o médico, algumas funcões devem obrigatoriamente exigir a aplicação de exames complementares como forma de assegurar a contratação de pessoal adequado à função que será exercida, sempre tomando o cuidado de não exagerar para não encontrar problemas que não existem realmente.

Por fim, o neurocirurgião explica como a sensibilidade e especificidade dos exames solicitados podem interferir nos resultados e, consequentemente, no tratamento das doenças ocupacionais, tendo sempre em mente o histórico do paciente.

“A medicina é uma ciência baseada em evidência e percebe-se a falta de objetividade nas justificativas de pedidos de exames complementares, daí a importância de se detectar quais os reais riscos inerentes à função avaliada”, completa o Dr. Guilherme Murta, diretor da APAMT.

Os impactos biopsicosociais do contato com pacientes nos profissionais de saúde foi tema da palestra da médica psiquiatra e perita judicial, Dra. Paola Figueiredo Mylla. Ela focou no stress sofrido por esses profissionais e nos fatores que o desencadeiam, devendo cada caso ser tratado individualmente.

“Não existem regras para determinar se uma atividade é estressante, pois cada pessoa é afetada diferentemente pelos fatores externos a ela. Às vezes o que desencadeia um quadro de stress em um nem é percebido pelo outro, depende de como se lida com a situação”, esclarece a médica.

A história do vida do paciente e também a do profissional em saúde podem interferir diretamente no relacionamento com a chamada transferência (no caso do paciente em relação ao médico) e na contra trasnferencia, que é como o médico pode vir a enxergar esse paciente, associando suas atitudes e comportamentos aos de outras pessoas que já têm certa interferência na vida do profissional.

Outra causa para stress do profissional de saúde é o fato de atender e ter contato com personalidades e histórias muito diferentes ao longo do dia, quadro piorado para aquele que não consegue separar a vida profissional da pessoal, deixando os problemas do trabalho no trabalho.

Aí entra a síndrome de burnout - sensação de “estar acabado” - que afeta principalmente os responsáveis por atividades que lidam diretamente com o público. Alguns sintomas são a sensação de exaustão emocional, semelhante à depressão, despersonalização (ou afastamento das pessoas de quem deveria estar cuidando), insensibilidade, envolvimento pessoal com o trabalho e sensação de incompetência.

Para a médica é importante saber diferenciar a burnout da depressão, visto que alguns dias de afastamento do trabalho melhoram o quadro de exaustão, mas não a depressão. Como forma de evitar o stress deve-se, entre outras coisas, buscar entender com quem se está lidando, irterpretar o público e, percebendo sintomas, buscar ajuda antes de perder o controle.

A palestra-tema foi ministrada pelo Médico do Trabalho e diretor da APAMT, Dr. Guilherme Murta, que elencou os desafios e peculiaridades do universo hospitalar, que consiste da união de várias atividades e várias empresas enquanto os “clientes” atendidos estão dentro do ambiente de trabalho, ao invés de fora, com o agravante de que um hospital não fecha, não para nunca. “A parte de terceirização é muito forte em muitos hospitais e o médico do trabalho também é responsável por esses trabalhadores, mesmo que não pareça”.

Os riscos para os trabalhadores são muitos, entre eles os biológicos (contato com fluídos de pacientes, doenças infecto-contagiosas), físicos, químicos, ergonômicos e acidentes. Além disso, questões administrativas como alto turnover, remanejamentos frequentes e substituição por profissionais sem preparo, multiplas jornadas e vínculos trabalhistas indiretos podem se tornar motivo de problemas para a saúde ocupacional desses funcionários.

Encerrando o Encontro os participantes tiveram um debate com os palestrantes, tirando dúvidas relativas à saúde ocupacional, regras de trabalho e trocando ideias para sempre melhorar o ambiente de trabalho.

 

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