Na Eletronorte desde 2005, a médica do trabalho e coordenadora do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) da Sede, Dra. Andrea Franco Amoras Magalhães, dá um recado nesta entrevista: é preciso serenidade e bom-senso para enfrentar a pandemia causada pelo Covid- 19. Ela acredita, ainda, ser necessário nos prepararmos e nos reinventarmos para a adaptação aos novos tempos que virão. Esse será, na sua opinião, o grande desafio da Empresa e de todos nós. Confira a seguir.

Agência – Como você avalia a preocupação da Eletronorte em proteger a saúde dos seus empregados nesse momento de pandemia?

Dra. Andrea – Estou na Eletronorte desde 2005 como médica do trabalho e coordenadora do PCMSO da Sede. É muito bom exercer a Medicina do Trabalho em uma empresa que sempre procurou proteger e promover a saúde dos seus empregados. A política de proteção do empregado da Eletronorte sempre foi forte. Nesta atual de crise não seria diferente. Saímos na frente com as medidas de isolamento social e fornecemos toda a estrutura necessária para que o empregado trabalhasse em home office. É um prazer trabalhar e ser desafiada na construção de políticas e práticas de segurança e saúde ocupacional para uma realidade tão diversa como a nossa, não só em processos de trabalho, mas também em peculiaridades regionais, já que estamos presentes em tantos estados do Brasil.

Que lições podemos tirar desse momento?

Acho que nesse momento a principal mensagem aos nossos colegas de trabalho é que tenhamos serenidade e bom-senso para atravessar este desafio que estamos vivendo. O mundo do trabalho não será o mesmo quando voltarmos às nossas atividades presenciais e temos que estar preparados para isso. Nos últimos meses, o mundo viveu uma verdadeira revolução na forma de trabalhar e na relação capital/trabalho. Novos modelos de negócios surgirão, assim como postos de trabalho serão modificados. Saber se reinventar será o grande desafio, extremamente necessário para que possamos nos adaptar aos novos tempos que virão.

O que tem a dizer sobre os cuidados tomados pela Empresa em relação aos empregados que continuam em seus postos de trabalho por serem imprescindíveis? E qual a sua avaliação no que diz respeito à comunicação ativa e informativa da Empresa, a exemplo das notas explicativas, avisos, falas etc.?

Com a finalidade de proteger e detectar precocemente agravos dos nossos trabalhadores essenciais, a área de Segurança e Saúde Ocupacional montou uma verdadeira força-tarefa com o envolvimento de vários setores da Empresa. Além disso, estamos sempre alinhados com os normativos do Ministério da Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos médicos do Grupo Eletrobras. O trabalho de comunicação Empresa/Empregados continua sendo fundamental para que todos nós estejamos munidos de informações seguras e vindas de fontes confiáveis, visando a nossa proteção, das nossas famílias e do nosso ambiente de trabalho. A Eletronorte sempre teve forte política de proteção ao empregado e nesta crise não seria diferente. Saímos na frente com as medidas de isolamento social e fornecemos toda a estrutura necessária para que o empregado trabalhasse em home office.

Além da Eletronorte, em quais outras instituições você atua como médica?

Sou médica toxicologista do Centro de Informações e Assistência Toxicológica DF /Samu GDF, órgão que ajudei a criar em 2003. Ali, além de atendermos os pacientes intoxicados aguda ou cronicamente, somos cenário para a aprendizagem de estagiários e residentes de Medicina do Trabalho. Faço a preceptoria no ambulatório de Toxicologia Ocupacional, um dos poucos do país nesta área. Na minha trajetória profissional sempre tive atividades docentes, na graduação ou pós-graduação, e atualmente sou coordenadora e docente do Curso de Medicina da Unieuro.

Recentemente a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) nomeou-a para o cargo de editora-chefe da Revista Brasileira de Medicina do Trabalho (RBMT). Qual é o foco da Revista?

À direita, o coordenador científico da RBMT, Francisco Fernandes

Essa revista, conhecida pela sigla RBMT, e fundada em 2003, é um canal totalmente aberto para que membros da comunidade científica possam publicar trabalhos originais, revisões sistemáticas, reflexões e contribuições teórico-conceituais, casos clínicos de interesse pedagógico ou casos de práticas bem-sucedidas. O que se pretende é que os benefícios dessas contribuições impactem positivamente na melhoria das condições e ambientes de trabalho e na melhoria da qualidade de vida e saúde de trabalhadores e trabalhadoras. A RBMT é indexada à LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), ao Latindex (Sistema Regional de Informação On-line para Revistas Científicas da América Latina, Caribe, Espanha e Portugal), ao Imbiomed (Índice Mexicano de Revistas Biomédicas Latino-Americanas) e, na internet, à Gale (parte da Cengage Learning), EBSCO Publishing e Periódica (Índice de Revistas Latinoamericanas en Ciencias).

Qual é a sua história com a Revista?

Na verdade, sempre atuei como revisora de artigos de algumas revistas científicas e na orientação de artigos de estudantes e residentes. Agora fui convencida a encarar o desafio de coordenar a principal revista no Brasil voltada para a saúde do trabalhador, em especial com o olhar da Medicina do Trabalho. O principal conceito norteador da Revista é fortalecer a Medicina do Trabalho dentro e fora do Brasil. Portanto, para isso é indispensável uma produção científica reconhecida. E vamos cumprindo nosso compromisso de levar a Associação Nacional de Medicina do Trabalho a todas as regiões do país — todos comprometidos com a qualidade da produção intelectual do nosso periódico científico. Algumas modificações deverão ser realizadas na direção do periódico. Estamos cientes dos desafios que temos pela frente, e que não são poucos. Pretendemos enfrentá-los objetivando elevar o patamar da nossa revista, tendo como metas o atendimento às necessidades de indexação da Biblioteca Eletrônica Científica Online (SciELO) e da PubMed, além de elevar a nossa classificação na Qualis, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).