O Ministério da Saúde confirmou na última quarta-feira (26/2) o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil. Batizado de Covid-19, a infecção viral, que teve origem na China, foi contraída por um homem de 61 anos, morador de São Paulo (SP). Ele esteve na Itália, em viagem de negócios, entre 9 e 21 de fevereiro. Poucos dias após a sua chegada, sentiu os primeiros sintomas. O primeiro teste foi realizado no dia 24 no Hospital Israelita Albert Einstein e deu positivo. A contraprova foi realizada no Instituto Adolfo Lutz e o resultado confirmou a presença do vírus no paciente.

As suspeitas de infecções passaram de 20 para cerca de 300 no Brasil na última quinta (27). Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação da lista de países usados como critério para diagnóstico e confirmação do primeiro paciente brasileiro contribuíram para aumento súbito. Os países listados até o momento são: Alemanha, Austrália, China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Camboja, Emirates Árabes Unidos, Filipinas, França, Irã, Itália, Japão, Malásia, Tailândia, Vietnã e Singapura.

“Na verdade, estamos perto de 300 casos suspeitos. A grande maioria dos casos pendentes vão entrar para a lista de suspeitas, mas não podemos garantir que serão 100%”, disse o secretário-executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo. Ele explicou que casos ainda não analisados foram classificados como suspeitas pelas secretarias por atenderem aos critérios usados desde o início do surto: o paciente deve apresentar febre e algum outro sintoma respiratório e ter viajado para algum país onde houve ao menos cinco casos de transmissão local do vírus, ou ter entrado em contato com um caso suspeito ou confirmado.

A chefe da OMS no Brasil, Socorro Gross, afirmou nesta quinta-feira (27) que “não há motivo para pânico” em relação ao novo coronavírus. Ela tem participado das reuniões no Ministério da Saúde e da elaboração de medidas de monitoramento da disseminação da Covid-19, a doença provocada pelo vírus.

“Não há motivo para pânico. As pessoas ficam ansiosas e é normal. Mas esse vírus, que é novo, nós conhecemos mais que outros vírus, temos mais pesquisa, informação da transmissão, do tratamento, de quantos casos podem ser severos, de quais são as populações que são mais afetadas”, afirmou Socorro.

Ministro da Saúde: “Brasil está preparado”

Em entrevista coletiva na quarta-feira (26), quando confirmou o vírus no território brasileiro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, tranquilizou a população e afirmou que o Brasil está preparado para testar os casos e para garantir que aqueles confirmados sejam monitorados e tratados.

“Agora vamos acompanhar o comportamento do vírus no hemisfério sul, qual o grau de transmissibilidade e letalidade”, destacou.

O ministro garantiu que “a população brasileira terá todas as informações necessárias para que cada um tome suas precauções, que são cuidados com a higiene e etiqueta respiratória, como lavar as mãos e o rosto com água e sabão. Este é um hábito importante e higiênico para evitar não só doenças respiratórias, como outras doenças de circuito oral”, orientou Mandetta.

Orientação aos profissionais de Saúde

Conforme orientação do Ministério da Saúde, médicos e enfermeiros devem utilizar medidas de precaução padrão, de contato e de gotículas, e para algumas situações medidas de precaução por aerossóis.

O portal do Ministério da Saúde disponibilizou farto material sobre o novo coronavírus, entre estudos, estatísticas, orientação e outras informações relevantes sobre a doença. Profissionais de saúde contam com publicações específicas que auxiliam médicos e enfermeiros. Entre outros documentos, o portal dispõe de ‘Protocolo de manejo clínico’ e ‘Procedimentos operacionais padronizados para atendimento à pessoa com suspeita de infecção pelo Covid-19 na Atenção Primária à saúde’ .

O Boletim Epidemiológico 03, publicado no site do Ministério da Saúde, é outra importante ferramenta de orientação para os médicos.