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I Encontro Brasileiro de Gestão da Sinistralidade em Saúde Suplementar reúne 141 participantes em Curitiba

02/05/2018 14:44:51

Evento inédito promovido pela APAMT trouxe palestrantes de todo o país para debaterem soluções e iniciativas de controle da utilização dos planos

Reunidos no Hotel Radisson, em Curitiba, ao longo dos dias 13 e 14 de abril, 141 profissionais com atuação em funções como gerentes de RH e de qualidade de vida, diretores executivos, analistas de saúde, consultores, auditores, enfermeiros, psicólogos, entre outros, tiveram a oportunidade de conhecer ferramentas, estratégias e casos de sucesso relacionados à sinistralidade em saúde suplementar vivenciados pelas empresas. O objetivo do evento, de abrangência nacional, foi de encontrar possibilidades de soluções para um problema cada vez mais preocupante.

Na abertura do Encontro o Dr. Guilherme Murta, presidente da APAMT , e a Dra. Marcia Bandini, presidente da ANAMT, deram as boas-vindas aos presentes e falaram sobre o papel da medicina na sustentabilidade dos planos de saúde e na gestão técnica da sinistralidade. A manhã seguiu com palestras sobre o papel do empregador na gestão do benefício-saúde na empresa, mapeamento epidemiológico e investimento em saúde populacional e seus efeitos na sinistralidade.

À tarde, duas mesas-redondas trouxeram para debate o tema "Gestão e tecnologia para a sustentabilidade do benefício-saúde", apresentando o desafio da incorporação de tecnologia e conceitos de algoritmos que auxiliam na gestão mais eficiente. As diferentes visões sendo da ANS, do empregador, da operadora de saúde e do prestador encerraram as palestras.

O segundo dia do Encontro começou com aulas sobre modelo de pagamento baseados em valor e mudanças do modelo assistencial na atenção primária, secundária e terciária. Segunda opinião médica e a apresentação do case da Vale, sobre autogestão, fecharam a manhã. Na sequência, apresentações práticas sobre como atingir resultados de sucesso com modelos empresariais, na visão da consultoria e da empresa. A última aula trouxe o papel da tecnologia no futuro da assistência médica.

O Dr. Alberto Ogata, de São Paulo, um dos palestrantes do evento, acompanhou os dois dias de palestras e enalteceu a iniciativa da APAMT. "Não vi nada semelhante ainda em todo o Brasil, então acho bastante oportuno e muito relevante, principalmente por trazer os maiores especialistas do país no assunto, o que permitiu discussões de nível muito alto, não só se restringindo a questões locais. Uma coisa boa do evento foi não ficar apontando só os problemas, mas também os caminhos, e mostrar a relevância do médico do trabalho nessas soluções", analisou o médico.

Para a Dra. Marcia Bandini o evento teve uma grande importância, especialmente por ser o primeiro e não ser voltado apenas para médicos. "Tivemos um equilíbrio muito interessante de participantes, reunidos com um único propósito, podendo trocar experiências para alcançar objetivos que são comuns. Os gestores também precisam entender que o papel do médico do trabalho vai muito além do cumprimento dos requerimentos legais. A gestão da utilização dos planos pode apagar pequenos incêndios, mas ela não é sustentável a longo prazo, tem que fazer gestão de risco, e isso se faz com prevenção."

Encerrando o I Encontro Brasileiro de Gestão da Sinistralidade em Saúde Suplementar, o Dr. Guilherme Murta falou sobre a importância de se promover eventos deste porte e agradeceu a presença e contribuição de todos na busca por melhorias na gestão da sinistralidade. "Percebo que saí tecnicamente mais preparado depois de ouvir cada uma das palestras e também experiências dos colegas. O compartilhamento dessas informações são de grande valia para todos os profissionais que atuam na gestão da saúde dos trabalhadores nas empresas, sejam médicos do trabalho, gestores de recursos humanos, CEOs, CFOs. Espero que todos saiam um pouco mais ricos de conhecimentos sobre o assunto", concluiu.

PALESTRAS

Saiba como foram as palestras ao longo dos dois dias de evento:

Sexta-feira (13)

A primeira palestra desta sexta-feira, 13, ficou a cargo de Emmanuel Lacerda. A partir do tema "O papel do empregador na gestão do benefício saúde na empresa: da gestão de custos para a estratégia de gestão da saúde corporativa" ele abordou quesitos como a participação das empresas no sistema de saúde suplementar, a evolução dos custos e outras questões que impactam a gestão do benefício das empresas, além do papel da promoção e prevenção na gestão de sistema de saúde sustentável e o custo efetivo para todos os atores envolvidos (usuários, empresas contratantes, planos de saúde, prestadores). Como representante do SESI e CNI, falou sobre a iniciativa da indústria para maior participação no sistema, com a utilização de ferramentas de apoio para uma saúde baseada em valor e gestão da informação para suporte à gestão. Na sequencia, Gustavo Quintão, da MDS Brasil, falou sobre o Mapeamento epidemiológico com ferramentas informatizadas e triagem de perfil populacional a ser acompanhado.

Encerrando as palestras da manhã, o Dr. Alberto Ogata (ABQV), trouxe para debate o investimento em saúde populacional e efeitos na sinistralidade. "Atualmente, a maioria das soluções em gestão da sinistralidade focam nos eventos, como hospitalizações, cirurgias e uso de órteses e próteses. No entanto, sabe-se que é fundamental a gestão da saúde de toda a população-alvo, seja de empregados de uma empresa ou beneficiários de uma operadora de saúde. Neste contexto, inclui-se a promoção, prevenção e gestão de condições crônicas, com o auxílio da tecnologia da informação e big data. O envelhecimento da população e o aumento das doenças crônicas torna cada vez mais estratégica a abordagem em saúde populacional.".

A tarde foi composta por duas mesas-redondas. A primeira, sobre gestão e tecnologia para a sustentabilidade, teve a participação de Luiz Augusto Carneiro, do IESS, que falou sobre o desafio da incorporação de tecnologia e o equilíbrio na saúde suplementar. Na sequencia, Henrique Serra, dos Hospital Alemão Oswaldo Cruz, abordou o conceito de algorítmos que integram indicadores para gestão mais eficiente em saúde suplementar.

Por fim, Karla Coelho, representando a ANS, trouxe a visão agencia reguladora. "O sistema de saúde tem como objetivo garantir o acesso aos bens e serviços necessários para a promoção, manutenção e recuperação da saúde dos indivíduos. A Agência Nacional de Saúde Suplementar é a agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde cuja missão consiste em promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regular as operadoras e contribuir para o desenvolvimento das ações de saúde no país. Para tanto, a ANS preconiza a gestão do cuidado em saúde como forma de promoção da saúde e do bem estar não apenas dos beneficiários, mas como um imperativo para a sustentabilidade do setor. Salienta-se a necessidade de mudança do modelo assistencial vigente na saúde suplementar, centrado na doença e produção de procedimentos, de forma a procurar rearticular as necessidades da atenção à saúde dos beneficiários."

A segunda mesa-redonda da tarde de sexta deu sequencia ao tema de gestão e tecnologia para a sustentabilidade do benefício saúde, trazendo a visão do empregador, por meio da fala de Marcia Agosti, da GE; a visão do prestador, apresentada por Vitor França, da ANAHP; e, por fim, a visão da operadora, por José Cechin, da Fenasaude. "Gerir sinistralidade é gerir receitas. Isso porque as despesas com assistência à saúde pouco podem ser afetadas pelas operadoras, já que nascem do encontro do paciente com o profissional de sua escolha e confiança. A doença simplesmente acomete aleatoriamente algumas pessoas, que assim recorrem ao profissional a quem compete de forma indelegável a responsabilidade pelo diagnóstico e prescrição do tratamento. Às operadoras é apresentada a conta a pagar e a fonte se suas receitas são as mensalidades cobradas de que adquire plano – pessoas e empresas. É porque as despesas por beneficiário crescem velozmente que as mensalidades sofrem reajustes altos, acima da inflação. Isso indigna os beneficiários individuais e também as empresas adquirentes de planos, pois seus custos vão se aproximando de suas capacidades financeiras. Há múltiplos fatores a impulsionar o crescimento das despesas e as empresas contratantes de planos podem ou mesmo devem exercer para ajudar a conter a escalada das despesas", analisou José Cechin.

Sábado (14)

Denise Eloi, do Instituto Coalizão Saúde (ICOS), iniciou as aulas da manhã falando sobre modelos de pagamento baseados em valor e aplicação de resultados. Entre os objetivos do trabalho desenvolvido estão melhorar o estado da saúde da população, incrementar a satisfação dos usuários e assegurar a sustentabilidade financeira, tendo em mente também o envelhecimento da população e que o número de pessoas acima dos 60 anos tende a aumentar cada vez mais. (Até 2050 serão 2 bilhões acima dos 60 anos no mundo.)

Para a palestrante, estamos passando por um momento de disruptura e algumas inovações chegam para liberar o profissional a focar na sua missão de acolher e cuidar. Ela cita o princípio da meta Triple Aim, que tem o paciente como centro do sistema de três pilares: experiência, saúde e redução de custos.

Hoje a população tem outras necessidades de saúde e as regras de atendimento estão passando por mudanças, como tomada de decisões baseadas em evidências, cooperação entre clínicos e minimização do desperdício.

Avaliando os principais sistemas de referência, como o utilizado no Reino Unido, por exemplo, percebe-se que eles estimulam o foco no desfecho do tratamento de maneiras diferentes. A palestrante então lembra que o modelo de remuneração utilizado atualmente no Brasil foca na prescrição e traz os incentivos errados ao sistema, daí a necessidade de um modelo de saúde baseado em valor.

A definição de valor em saúde apresentada pela palestrante, que foi criada a partir de encontro com representantes de entidades ligadas à saúde é de que valor em saúde "é o EQUILÍBRIO entre a PERCEPÇÃO DO CUIDADO quanto à experiência assistencial; PREVENÇÃO e tratamentos apropriados que proporcionem desfechos clínicos de alta qualidade; e CUSTOS adequados em todos o ciclo de cuidados, permitindo a sustentabilidade do sistema de saúde."

Dando sequência às palestras, o médico Paulo do Bem, da Unimed Vitória, trouxe para debate o futuro dos planos de saúde a partir de um modelo integrado de atenção à saúde. Ele iniciou apresentando dados como a pirâmide demográfica e sua mudanças ao longo dos anos, a transição epidemiológica e o custo médio do plano de saúde em relação à folha de pagamento das empresas, que vem crescendo nos últimos 14 anos e tende a atingir 25,5% em 2034.

Em uma situação ideal, com base em uma população saudável e focando apenas na prevenção de doenças e no bem-estar, seria possível reduzir custos sem racionar a utilização do plano. Porém a realidade é diferente. "Mais de 85% das pessoas que vão para o pronto-socorro não precisariam estar lá, poderiam resolver seu problema na atenção primária", explicou.

O desperdício na saúde suplementar, apresentado pelo palestrante com base nos dados da Unimed Vitória, é alto em comparação ao sistema público e ele sugere um plano de cuidado personalizado. "Se conseguirmos uma boa coordenação de cuidado da saúde da população, podemos evitar o aumento exponencial da curva de necessidade desse cuidado pelo usuário. Atualmente a forma de cuidar é linear e não acompanha a necessidade", avaliou.

Focado na utilização da tecnologia aliada à atenção à saúde, o palestrante disse acreditar daqui para a frente em um triângulo de atuação, unindo o cuidado profissional, o autocuidado do paciente e a tecnologia.

Caio Seixas Soares, da Advance Medical, falou sobre segunda opinião médica, apresentou cases e também falou sobre o funcionamento da plataforma da consultoria. Ele destacou a importância da disponibilização de informações ao paciente, justificando que pacientes pouco informados tomam decisões de baixa efetividade e que acabam levando ao desperdício de tempo, saúde e dinheiro.

Com a palestra "Como podemos, na prática, com modelos empresariais atingir resultados de sucesso?" a médica Patricia Pena, da PASA VALE, falou sobre as alternativas de assistência médica no cenário desafiador em que a saúde suplementar se encontra, passando pelo modelo de atenção à saúde, pela evolução da gestão de saúde nas empresas e pela integração da saúde assistencial com a ocupacional.

Para ela, a garantia do acesso à saúde com qualidade e resolutividade, além de selar o compromisso do cuidado ativo genuíno, tem papel fundamental na manutenção da qualidade de vida e de um comportamento saudável na utilização da rede assistencial.

A palestrante apresentou o caso da Vale, que optou pela autogestão, e falou sobre o caminho da saúde passando pela medicina industrial, medicina ocupacional, saúde ocupacional - especialmente o absenteísmo e casos crônicos, "isso tem sim que fazer parte da minha rotina" - e também a saúde das empresas.

Fazer ser sustentável é um desafio constante e vale a máxima "cuidar para ter sempre". Nesse contexto, vale engajar as pessoas, cuidar e acolher, utilizar indicadores integrados e promover a cultura preventiva entre todos. "Acredito em quatro pilares que devem compor o mindset, que são gestão ocupacional, gestão do absenteísmo, promoção da saúde e gestão assistencial.

Apresentando dados, ela relatou que causas externas também são preocupantes na gestão da sinistralidade, como violência urbana e violência no trânsito. "Tudo isso tem impacto de custo e de qualidade de vida para o empregado", explicou. Na Vale, os afastamentos seguem a tendência mundial, sendo que as doenças mentais foram responsáveis por 50% dos afastamentos nos últimos três anos.

Por fim, destacou a importância de o empregado sentir a confiança necessária para buscar o atendimento e as ferramentas de acesso e promoção à saúde oferecidos pela empresa.

Dando início às palestras do período da tarde, Gustavo Clark, da JLT, discorreu sobre "como podemos, na prática, com modelos empresariais atingir resultados de sucesso?" do ponto de vista da consultoria de gestão em saúde ocupacional.

Entre as principais demandas dos clientes destacou redução de custo, informações em tempo real, programas de saúde, auditoria, segunda opinião médica, ações de qualidade de vida, profundidade das informações, ROI, entre outros.

O palestrante também falou da importância de simplificar os processos, como forma de facilitar e também agilizar o trabalho de quem atua diretamente com o plano de saúde dentro da empresa.

"Um trabalho que é importante é analisar os CIDs dos afastamentos e identificar as razões que levam a eles", avaliou. A comunicação interna também deve ser eficaz, especialmente quando existem filiais da empresa espalhadas em diversos locais e cidades.

Após apresentação de case, Gustavo Clark encerrou sua fala enfatizando que a consultoria precisar ser capaz de olhar o mundo do ponto de vista do cliente e do seu colaborador e conhecer profundamente o mercado para oferecer produtos e serviços totalmente personalizados. Também desenhar processos integrados e executar, buscando produtividade e prevenção em saúde.

Marcelo Ruiter apresentou a visão da empresa dentro do mesmo tema com um case da Suzano Papel e Celulose, quando falou sobre a gestão estratégica de saúde suplementar na empresa - como eliminar o desperdício, controlar a variação do custo médico-hospitalar e ampliar o atendimento. E deu três dicas para iniciar o processo: conhecer a realidade, priorizar com base de dados e desafiar o padrão.

Representando o SESI-SC, Marcelo Benedet Tournier iniciou sua palestra sobre Saúde na Era da Quarta Revolução Industrial relembrando as revoluções pelas quais o mundo já passou e seu impacto na sociedade. Então, seguiu apresentando ferramentas tecnológicas já utilizadas ao redor do mundo e como a tecnologia pode ser uma grande aliada para o futuro da assistência médica, por exemplo com a utilização de cirurgias robóticas. O consumo de saúde também mudou nessa nova era, daí a importância de identificar o que determina a saúde da população. Por fim, falou sobre a atuação do Sesi em projetos relacionados à saúde, como o de uma plataforma com novas ferramentas voltadas a questão de mudanças de comportamento, prevenção de doenças e telessaúde.

 

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