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A doença mental no contexto organizacional: como identificar, tratar e prevenir

15/05/2017 15:26:13

Diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças mentais nas organizações foram os temas debatidos durante a 2ª reunião científica da APAMT, realizada na manhã de sábado, 13 de maio, na sede da Associação Médica do Paraná. Os médicos Ramon Cavalcanti Ceschim e Juliano de Trotta foram os responsáveis pelas palestras, que trouxeram estatísticas, preocupações e formas de lidar com as diferentes situações.

Em sua fala, o Dr. Ramon citou trechos de legislações que tratam da Medicina do Trabalho e da sua função de conhecer, detectar, pesquisar e analisar os fatores que serão determinantes e condicionantes aos agravos à saúde do trabalhador. A prevenção deve sempre ser o foco, porém saber diagnosticar e ajudar quem desenvolve uma doença mental é imprescindível.

No período compreendido entre 2007 e 2016 houve um aumento significativo dos agravos de notificação do Sinan, sendo a grande maioria relacionada a trabalhadores ligado a sindicatos fortes, especialmente vigilantes e agentes penitenciários, que apresentavam quadros de depressão.

Ele citou, ainda, a importância da integração entre os profissionais em fornecer uma rede de apoio ao trabalhador, com Médico do Trabalho, Psiquiatra e Psicólogo. "A realidade nos força a um entendimento aprimorado das relações sociais, familiares e até de trabalho e suas repercussões na vida profissional, então com o tempo vamos criando mecanismos que nos auxiliam no dia a dia a identificar pessoas em sofrimento", comentou.

A vulgarização dos exames ocupacionais, a política do ganhar no volume e a falta de instrumentos adequados para avaliação de colaboradores no contexto da Medicina do Trabalho, além do risco potencial de transtornos mentais relacionados ao trabalho (TMRT) àquele trabalhador causam dificuldade em se estabelecer nexo. Para o Dr. Ramon, a vida e as relações de trabalho têm se tornado superficiais e deturpadas, o que aliado a um descaso das organizações no que tange a saúde mental e a construção de ambientes laborais realmente saudáveis acaba por agravar a saúde do trabalhador.

A palestra seguiu com informações mais detalhadas de etiopatogenia, diagnóstico sindrômico, casos orgânicos e não orgânicos; assim como a avaliação dos fatores de risco no ambiente de trabalho que podem trazer repercussões na saúde mental, sejam eles químicos, biológicos, ergonômicos e de ambiente. "A ferramenta ergonômica para o Médico do Trabalho é o exame complementar para o médico assistente."

O Dr. Juliano de Trotta deu sequencia à reunião com sua aula sobre a formatação de um Programa de Saúde Mental nas Organizações e apresentou alguns dados. Transtornos de humor correspondem a 54% dos transtornos mentais causadores de incapacidade no Brasil, seguidos de transtornos neuróticos, que representam 17% do total.

Ele explicou que muitas vezes o transtorno mental está associado a outras doenças, que podem mascarar a doença psiquiátrica, pois são problemas não mapeados no dia a dia. Obesidade, diabetes, neoplasias e até conflitos entre a equipe de trabalho e assédio moral podem desencadear doenças psiquiátricas. "O assédio moral não é pontual, ele é um processo constante, e se o trabalhador tem confiança no Médico do Trabalho ele irá ao ambulatório gostando muito de ser cuidado, daí o papel do periódico com consultas bem exploratórias", ponderou.

Ao abordar o suicídio, o Dr. Juliano lembrou que esta é a segunda maior causa de morte entre jovens dos 15 aos 29 anos. Em um âmbito geral, 41% das pessoas que se suicidaram passaram por consulta médica nos seis meses anteriores, enquanto 100% das mulheres que se suicidaram passaram por consulta medica no último ano de vida. Esses dados mostram a dificuldade de se identificar um indivíduo em sofrimento.

Existem ferramentas das quais o Médico do Trabalho pode fazer uso ao buscar evidências de transtornos mentais, como as queixas do paciente, sinistros do plano de saúde, controle do uso de medicamentos, imputs dos gestores, afastamentos previdenciários, absenteísmo por CID F, além de programas de aferição de saúde mental utilizados dentro das empresas.

Alinhar a equipe, promover uma comunicação ostensiva do programa de prevenção, repassar a ideia de que o médico está lá para ajudar o dia a dia do funcionário, fazer mudanças na ergonomia e também ações operacionais auxiliam na prevenção, "porém, é preciso ser reativo, pois ao mesmo tempo que faço a prevenção eu tenho que tratar as pessoas que já sofrem com o dano", explicou. Para isso é imprescindível utilizar um fluxo de acompanhamento, principalmente quando o trabalhador volta de um afastamento por transtorno mental.

Por fim, o palestrante sugere algumas etapas para o programa de prevenção, iniciando pelo diagnóstico, passando por planejamento e ação e finalizando com os resultados, sendo que ele também deve atender os três níveis de atuação na saúde mental: atuação nas fontes estressoras, foco em ações preventivas e intervenções nos funcionários já com sinais da doença. Além das ações citadas, orientar os líderes e possibilitar ferramentas de enfrentamento, como incentivo à educação, auxílio para atividade física e até um programa nutricional oferecido pela empresa podem auxiliar o trabalhador a enfrentar melhor a doença. Por fim, lembrar que o acompanhamento desse indivíduo é indispensável durante após o tratamento.


 

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